O pensamento caiu num buraco sem fim enquanto fugia.
Foi morar em meio a estranhos conhecidos e
gostava de estar entre eles
embora não conseguisse trocar uma idéia.
Ele era pensamento rápido, desavisado, sem dono.
Queria parar junto a outro pensamento,
criar laços, constituir família.
Mas sua forma, tamanho, lógica
e precisão lhe desiludiam do mundo.
Os dias passavam e lhe diziam:
você não é daqui, dali, acolá
- Você é de lugar nenhum.
Ultimamente ganhava amigos sem força e brilho,
agarravam-lhe a vida, tomavam emprestada sua alegria.
Ficava então ali sozinho, sem vizinho, sem destino, sem.
Um pensamento isolado de si.